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domingo, 16 de setembro de 2012

COMPREENDENDO OS CICLOS

Mulheres com asas são fortes, mas caem. São persistentes, mas desanimam. São audaciosas, mas desistem. E são assim porque são mulheres e porque seu ritmo é ondulatório. As mulheres são criticadas por serem instáveis, mas reduzir o que acontece com elas a este mero estigma não parece justo. Há muito mais por trás da psique de uma mulher. 
Para começar, a mulher é um ser sensível e, por isso mesmo, parece natural que oscile em razão dos acontecimentos exteriores e interiores. Além disso, as questões hormonais não se inserem no campo do psicológico ou do imaginário. Esta espécie de alteração é capturável por instrumentos científicos. Por fim, é da natureza da mulher caminhar em ondas ou ciclos, por mais determinada que ela seja.
Uma mulher é facilmente capaz de dar dois passos para a frente e um para trás pra chegar aonde precisa. Não se trata de indecisão. Muitas vezes, as mulheres precisam apenas recuperar o fôlego, examinar melhor o terreno em que caminham ou se prepararem para um passo mais ousado. Isto não é um defeito, é uma característica. Aliás, eu diria que se trata de um atributo positivo, pois revela preocupação, cautela, e consciência, inclusive dos próprios limites.
Mesmo a mais arrojada das mulheres sabe, instintivamente, até onde pode ir. E quando ultrapassa a linha do aceitável, põe-se em contato consigo mesma para retroceder e retomar seu auto-controle e sua auto-estima. Quando uma mulher não consegue fazer isso, provavelmente está doente e precisando de muita, muita ajuda.
As mulheres são seres que analisam, investigam, conferem, verificam, checam e inspecionam. E não são assim por pura maldade, curiosidade ou por defeito de caráter. São assim porque precisam conhecer o solo em que pisam e necessitam se certificar da adequação do terreno em que estão trilhando. O preço disso é que muitas vezes são mal compreendidas e julgadas.
Mas isso não tem a menor importância. Um julgamento não muda uma essência. E a essência da mulher é perscrutar o ambiente até que nele se sinta bem. As coisas são como são. E é assim com a mulher.
Às vezes, quando nada parece funcionar, é preciso ajustar as velas e mudar de direção. E às vezes é preciso recuar. Ou para ir embora de vez, ou para ganhar impulso e poder atravessar a fronteira. De todo modo, quando a mulher parece estar retrocedendo, na verdade ela está recuperando as suas energias para empreender uma mudança.
Quando a mulher cai, pode se sentir muito só e infeliz. Mas em muitos casos só mesmo seu afastamento pode ser sua salvação. Quem aprende a viver sozinho suporta melhor as dificuldades. Mas em muitas situações, o movimento de marcha-à-ré inclui a coletivização dos seus sentimentos. Não há quem duvide que a terapia entre amigas é o mais eficaz remédio que existe.
As mulheres devem compreender e aceitar os seus ciclos como parte da sua existência. Sentir-se desvitalizada ou desanimada é um efeito colateral da premência de uma mudança.
As aves migratórias vêm sendo estudadas e não há uma constatação unânime para a razão deste comportamento. O que se sabe é que algumas espécies voam milhares de quilômetros somente para encontrar melhores condições meteorológicas e alimento. Os estudiosos ainda procuram novas explicações, mas me parece que estas duas causas já justificam o esforço.
Quando uma mulher estiver insatisfeita com o seu ganha-pão ou com seu habitat, pode ser hora de partir. Observando os fenômenos naturais, constata-se que, em poucos casos, imitar a natureza não será sábio. Sendo assim, quando não estiver se sentindo bem, estude e questione as suas causas. E a  partir de suas conclusões, você poderá então decidir entre dedicar-se a seu ninho ou bater asas rumo a um novo horizonte.

(Praça de São Marcos, Veneza, Itália - foto extraída de www.google.com)